domingo, 11 de outubro de 2015

II Oficina de Rajão - 2015


A Associação Musical e Cultural Xarabanda, promoveu na sua Sede, Travessa das Capuchinhas n.º 4, a II Oficina de Rajão, nos dias 23, 25, 26, 29 e 30 de Setembro e 02 e 03 de Outubro, sob a orientação do professor Roberto Moniz e que teve como patrocinador a Câmara Municipal do Funchal. A apresentação dos trabalhos realizou-se no dia 03/10/2015 na Avenida Arriaga no âmbito da Feira do Livro e contou com uma Orquestra de 22 Rajões, embora na formação tivessem frequentado 24 elementos.


Cartaz: Catarina Nunes
  
Os objetivos deste trabalho prático prenderam-se por: 
- Proporcionar um primeiro contacto com o instrumento (Rajão);
- Conhecer e executar os principais ritmos dos géneros musicais madeirenses;
- Desenvolver técnicas de execução básicas e/ou mais elaboradas.
- Despertar o interesse e aumentar o número de praticantes para a prática dos cordofones tradicionais madeirenses.



Este foi mais um projeto intergeracional em defesa da identidade cultural madeirense.

Aqui ficam algumas fotos do desenrolar dos trabalhos na sede da Associação Xarabanda

Fotos: Roberto Moniz




Aqui ficam algumas fotos do desenrolar dos trabalhos na apresentação na Avenida Arriaga.
Fotos: Catarina Nunes











segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Oficina de Rajão

A Associação Musical e Cultural Xarabanda, está a promover na sua Sede, Travessa das Capuchinhas n.º 4, uma Oficina de Rajão, que conta com o patrocínio da Câmara Municipal do Funchal. 

Estes trabalhos práticos iniciaram-se no dia 14 do mês de Novembro e terminarão com uma apresentação final que se realizará no Hall do Teatro Municipal Baltazar Dias, no dia 29 de Novembro às 21:30h.

  





Os objetivos deste trabalho prático são: 

- Proporcionar um primeiro contacto com o instrumento (Rajão);
- Conhecer e executar os principais ritmos dos géneros musicais madeirenses;
- Desenvolver técnicas de execução básicas e/ou mais elaboradas.
- Despertar o interesse e aumentar o número de praticantes para a prática dos cordofones tradicionais madeirenses.


Este é mais um projeto intergeracional em defesa da identidade cultural madeirense.

Aqui algumas fotos do desenrolar dos trabalhos.

Fotos: Rui Camacho








Oficina de Viola de arame

A Associação Musical e Cultural Xarabanda, promoveu na sua Sede, Travessa das Capuchinhas n.º 4, uma Oficina de Viola de Arame, que contou com o patrocínio da Câmara Municipal do Funchal. 

Estes trabalhos práticos tiveram como formador o professor: Roberto Moritz e decorreram nos dias 17, 18, 24, 25 e 31 do mês de Outubro.

A apresentação dos trabalhos realizou-se no dia 1 de Novembro, no Hall do Teatro Municipal Baltazar Dias.




Os objectivos deste trabalho prático foram: 

- Proporcionar um primeiro contacto com o instrumento (Viola de Arme);
- Conhecer e executar os principais ritmos dos géneros musicais madeirenses;
- Desenvolver técnicas de execução básicas e/ou mais elaboradas.
- Despertar o interesse e aumentar o número de praticantes para a prática dos cordofones tradicionais madeirenses.


Este foi um projeto intergeracional em defesa da identidade cultural madeirense, nomeadamente o património musical e cultural da região.

Fotos: Rui Camacho









Apresentação no Hall do Teatro Municipal Baltazar Dias dia 1 de Novembro





A alegria e boa disposição reinaram desde o primeiro ao último dia.

Vem aí uma orquestra de Violas de Arame.

Obrigado a todos os participantes!

sábado, 3 de novembro de 2012

A Viola d'Arame

A viola de arame é um cordofone descendente das violas portuguesas (viola beiroa, viola campaniça, viola braguesa, viola amarantina, viola toeira).

Viola d'Arame
Foto: Rui Camacho
Tem, no entanto, nas suas irmãs Açorianas (viola da terra - 12 cordas, ilha de São Miguel; viola da terceira - 15 cordas e Viola da Terceira -18 cordas) as suas parentes mais próximas, sendo todas estas conhecidas por violas de arame. Diferencia-se, porém, das demais, por ter escala sobreposta ao tampo e não rasa.
O seu nome advém do facto de, na sua armação (encordoamento), as cordas serem construídas de arame, (vulgarmente fios de latão).


Esta viola era, outrora, muito usada pelos foliões populares em festas e folguedos, no acompanhamento do charamba (cantiga de raiz popular da Madeira e Porto Santo). No entanto, e com o andar dos tempos, os tocadores mais experimentados e com gosto pela exploração completa deste cordofone de som maravilhoso e harmónico, conclui-se que presta-se também para acompanhar outros tipos de cantigas tão populares quanto vulgares na Região Autónoma da Madeira.






A forma de tocar este instrumento é a mesma utilizada para tocar o rajão e o braguinha, podendo ser tocada de ponteado ou de rasgado,  ficando tal tarefa ao critério do tocador.
Tocador de Viola d'Arame - Charamba (Porto Santo)
Foto: Rui Camacho


Um dos géneros que sempre dependeu do seu uso e ainda hoje a tem como acompanhante por excelência é o Charamba ou Xaramba.
" Teoria" - Grande tocador de Viola d'Arame - Porto da Cruz

Charamba é um género de improviso tanto no canto como no acompanhamento pela Viola d'Arame, em que cada executante deste instrumento, pode dar um ar da sua graça de acordo com as suas capacidades, nomeadamente nos instrumentais que separam os versos ou nos interlúdios entre cantadores.
Este género musical madeirense, serviu de base a muitas das chamadas cantigas de trabalho (apanha do trigo e da erva e carga).
Existem três estilos de Charamba:
- "Charamba Clássico" - o mais antigo (ritmo muito livre);
- "Charamba dos Velhos" - com andamento lento (é o preferido das pessoas mais idosas);
- "Charamba pelo Meio" - tem um andamento mais vivo (é o preferido pelos jovens)

"Charamba dos Velhos" - Referta (Porto da Cruz)
Foto: Rui Camacho


No Porto Santo quando se vai a baile ou a cantoria, há mesmo uma expressão que se diz: “Hoje há viola”!
Tocador de Viola d'Arame
Charamba (improvisadores do Funchal, Porto Santo e Santana)
Carreiras - Funchal
Foto: Rui Camacho



Afinação e encordoamento:


A viola de arame encordoa com 9 cordas (de baixo para cima e/ou do agudo para o grave), conforme abaixo enumerado:
Ré (carrinho - Nº 10 ou 9 - um par de cordas afinadas em uníssono).
Si (carrinho - Nº 4 corda de aço - individual).
Sol (toeira carrinho - Nº 4 - um par de cordas de latão afinadas em uníssono).
Ré (um par de cordas, sendo a primeira um bordão - corda si da guitarra de fado nº 41 e a segunda um corda de aço fino carrinho nº 10).
Sol (um par de cordas sendo a primeira um bordão n.º 73 ou sol da viola francesa e a segunda uma corda de latão nº 4).
Atualmente, há quem utilize outras cordas de marcas mais conceituadas no sentido de conseguir uma melhor sonoridade e afinação.

A divulgação da viola de arame, através da emigração de colonos madeirenses influenciou, também, outro instrumento no Brasil, a viola caipira, que para além das características físicas e do número de cordas nas suas afinações, adotou igualmente a da viola de arame.

Algumas “Escolas de Viola d’Arame” destacam-se das demais, pelo facto de se contemplar a “teoria musical” e a “leitura na pauta”. Destas destacam-se a Associação Musical e Cultural Xarabanda e o Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira através do Professor Roberto Moniz.

NOTA:
Na Madeira, temos apenas um construtor de Violas d’Arame, o Mestre Carlos Jorge Pereira Rodrigues, que tem a sua Oficina na Rua dos Frias N.º- 2 A, 9000, Funchal.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Machete ou Braguinha

Na ilha da Madeira existe um cordofone, conhecido pelos nomes de braguinha ou machete.
Foto:Rui Camacho
Machete
Foto: Rui Camacho


O Machete, tem escala elevada sobre o tampo, (dezassete trastos), e boca redonda;
Em tempos idos o seu encordoamento foi de tripa, mas o povo foi substituindo a primeira corda por fio de aço cru, depois as outras, até ficarem as quatro cordas de aço. Actualmente (2012), os músicos voltaram a encordoar este instrumento com cordas aproximadas às de tripa, mais concretamente com Fluorocarbono.

A sua afinação é, do grave para o agudo, Ré-Sol-Si-Ré (D-G-B-D).

Carlos Santos considerou-o como um instrumento de invenção insular, explicando o seu nome, de acordo com o autor do Elucidário Madeirense, pelo fato de o instrumento ser usado por gente que vestia bragas, uma espécie de calças largas e curtas, antigo trajo do camponês ilhéu, que tinham bolsos grandes, onde poderiam ser transportados estes pequenos instrumentos.
Machete Rústico
Na realidade, o  braguinha madeirense, sob o ponto de vista do seu contexto social,  apresenta-se, por um lado, como instrumento de nítido carácter popular, próprio do «vilão», rítmico e harmónico, para acompanhamento, tocando-se então rasgado;
Machete acompanhado por uma Viola

...por outro, um instrumento urbano, citadino e burguês, de tuna, melódico e cantante, de facto o único instrumento cantante madeirense, tocando-se ponteado, com palheta ou, preferentemente, com a unha do polegar direito ao jeito de plectro, alternando com rufos ou acordes dados com os dedos anelar, médio, e indicador (o que torna bastante difícil a execução);
Machete

...e tendo como tal figurado em conjuntos de que faziam parte pessoas da maior representação social da cidade do Funchal, com conhecimentos musicais,
Grupo da Orquestra Característica Madeirense
- Machetes (linha da frente) -
- Violas e Rajões (linha de trás) - 


... e ao serviço de um repertório de tipo erudito, em arranjos mais ou menos adequados.

Escalas e Estudos para Machete,
arranjados por
Manoel Joaquim Monteiro Cabral




Manuscrito de Machete - Mrs. Christopher

Sinais das cordas soltas
Escala Natural
Escala Cromática
Exemplo de duas pequenas peças para Machete:
N.º 2 - Dança Camponesa
N.º 3 - Gallopé































A exemplo deste manuscrito (pertença de M. M.), existem outros com peças muito interessantes  e de grau de dificuldade de execução muito elevado.
Conhecem-se manuscritos dos quais temos posse de compositores do séc.XIX, tais como:

  • Cândido Drumond de Vasconcelos;
  • António José Barbosa;
  • Manoel Joaquim Monteiro Cabral


Morfologicamente idênticos, o braguinha rural é extremamente rústico e pobre, enquanto o burguês e citadino é geralmente de uma feitura muito esmerada, em madeiras de luxo, com embutidos, etc.

A Associação de Folclore e Etnografia da RAM - AFERAM, lançou o primeiro número de uma série de cadernos, intitulados "Cadernos de Folclore", em que o tema desta 1.ª edição, foi: Cordofones Tradicionais Madeirenses - Braguinha, Rajão e Viola de Arame. Em baixo podemos ver um pequeno exemplo de como está organizado o Cadernos de Folclore 1